Livro de ex-carcereiro atribui a Lula duras ofensas contra ministros do STF durante prisão
Relatos publicados em “Banho de Sol” citam críticas a Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux; declarações não têm confirmação independente.
6 de novembro de 2026 | Redação Portal tem
Um livro lançado nesta semana reacendeu o debate sobre a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na obra “Banho de Sol: os 580 dias de Lula na prisão”, o policial federal Jorge Chastalo Filho, que acompanhou a rotina do petista na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, atribui ao então ex-presidente comentários ofensivos contra magistrados que participaram de decisões contrárias a seus interesses.
Os relatos foram divulgados pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, em 4 de novembro, e repercutiram em outros veículos e nas redes sociais. É importante destacar que se trata de conversas narradas pelo autor, e não de gravações ou transcrições oficiais verificadas de forma independente.
Cármen Lúcia: decepção com uma indicação ao Supremo
Segundo Chastalo, Lula teria chamado Cármen Lúcia de “falsa humilde”, ao recordar conversas anteriores à indicação da ministra ao STF, feita em 2006. O relato descreve frustração com decisões da magistrada durante o período em que o ex-presidente buscava medidas judiciais para deixar a prisão.
Edson Fachin: irritação com habeas corpus
O autor também atribui a Lula um xingamento contra Edson Fachin após a retirada de pauta de um pedido de habeas corpus. Fachin foi indicado ao Supremo em 2015, durante o governo Dilma Rousseff. Segundo o livro, o episódio intensificou a insatisfação do petista com o andamento de seus processos.
Luiz Fux: críticas após decisão sobre entrevistas
Luiz Fux também aparece no relato. O policial afirma que Lula teria usado expressões como “cachorro pidão” e “canalha” ao comentar a decisão que impediu uma entrevista do então preso aos jornais Folha de S.Paulo e El País. Fux chegou ao STF por indicação de Dilma Rousseff.
O contexto dos 580 dias em Curitiba
Lula permaneceu preso entre abril de 2018 e novembro de 2019. Sua libertação ocorreu após o STF alterar o entendimento sobre o início do cumprimento da pena antes do trânsito em julgado. Posteriormente, decisões judiciais anularam condenações do ex-presidente relacionadas à Lava Jato.
O livro também registra, segundo as reportagens, avaliações favoráveis atribuídas a Lula sobre Gilmar Mendes e Celso de Mello. O contraste entre críticas e elogios é apresentado pelo autor como parte do ambiente de tensão daquele período.
Repercussão e limites do relato
As declarações atribuídas a Lula chamam atenção pelo teor e pelo fato de envolverem integrantes da mais alta Corte do país. No entanto, a existência do relato publicado não comprova, por si só, que cada frase tenha sido pronunciada exatamente como descrita. Até a publicação da reportagem original, a assessoria de Lula e o STF não haviam respondido aos pedidos de manifestação mencionados pela Folha.
O episódio expõe as tensões políticas e institucionais que marcaram a prisão do ex-presidente, mas qualquer conclusão sobre o conteúdo das conversas depende de confirmação adicional e do eventual posicionamento dos envolvidos.

