Estrada de ferro em Bauru
A construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), iniciada em 1905, foi o marco que transformou Bauru em um dos maiores polos econômicos do país. Conhecida como a "linha da penetração", seu objetivo era ligar o estado de São Paulo ao Mato Grosso e à fronteira com a Bolívia.
A engenharia enfrentou desafios brutais que marcaram profundamente a história da ferrovia:
- Conflitos com os Kaingang: As frentes de trabalho avançavam sobre as terras sagradas dos indígenas. Os Kaingang reagiam com emboscadas e flechadas para conter o avanço dos trilhos, enquanto os operários e os "bugreiros" (mercenários contratados para caçar índios) respondiam com forte violência armada.
- Doenças Tropicais: Milhares de operários contraíram malária e febre amarela nas matas fechadas e insalubres do Centro-Oeste paulista. A alta mortalidade de trabalhadores fez o trecho inicial ficar conhecido na época como "trilhos da morte".
- Atração Migratória: Apesar dos perigos, a ferrovia atraiu uma enorme massa de migrantes de outros estados brasileiros e imigrantes italianos, espanhóis, portugueses, japoneses e sírio-libaneses. Eles se fixaram ao redor da estação, impulsionando o comércio local.
- O Grande Entroncamento: Bauru se tornou única porque conectava três gigantescas malhas ferroviárias: a NOB, a Companhia Paulista e a Companhia Sorocabana. Isso transformou a cidade na principal porta de entrada e escoamento do interior paulista.

